sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Falsa Valsa

No dia 14 de setembro, a banda recém-formada Falsa Valsa fez seu primeiro show no Vale Doze e Trinta. Confira abaixo a entrevista que fizemos após o show!

Entrevista por Júlia Bertolucci


1- Como vocês se conheceram e formaram a Falsa Valsa?

Augusto: A banda se formou por acaso, sem muitos planos. Na verdade, as nossas músicas gravadas vêm de uma experiência pessoal minha, quando resolvi registrar umas composições que eu tinha feito, não "aceitas" em outra banda da qual eu fazia parte e por essa e outras razões pulei fora. Quando me vi sem banda e algumas músicas na mão, gravei, sem mais grandes planos. Então saí divulgando esses sons em myspace e orkut. Um pessoal conhecido ouviu e gostou, e começaram a pedir shows.
Então convidei minha colega de faculdade Paula, a qual eu sabia há algum tempo que tocava bateria e também estava sem banda. Ela topou se juntar comigo e procurar o resto da banda. o Carlos, baixista, era de um outro pessoal que se juntou planejando tocar essas mesmas músicas que eu havia gravado, mas não dera certo. Ou seja, já houve uma tentativa anterior de "colocar em prática" a "banda" Falsa Valsa. Mas dessa primeira tentativa só sobrou o Carlos. Quando a Paula topou tocar comigo, retomei contato com o Carlos, e ele entrou. Desde então, passamos a ensaiar os três.

2- Durante o show, tu falaste que o Vale Doze e Trinta foi a primeira apresentação da banda. E como foi?

Augusto: Primeira apresentação e primeira grande motivação da banda. Isso porque quando nos juntamos eu, Paula e Carlos, passamos a ensaiar com certa regularidade, mas sem grandes metas ou organização. No verão de 2009 paramos de ensaiar. Houve um relativo hiato, até surgir o Vale Doze e Trinta. Quando vimos que poderíamos ser sorteados, retornamos os contatos e voltamos a ensaiar com mais organização. Sabíamos tocar apenas 4 músicas, por aí.

Então fomos selecionados pro show no Vale. Agora era pra valer. Nos reuníamos 2x por semana em casa e em estúdio, e fomos ensaiando, num intervalo de 2 meses pra conseguir fechar repertório pra show. Acabamos conseguindo 11 músicas e fizemos um bom show. Finalmente nos sentimos uma banda. Há um certo sentimento de "virgindade" em um grupo que fica só no ensaio. Nem mesmo o lançamento de CD faz de um grupo uma banda.

Carlos: Esse show nos confirmou o que já acreditávamos: Nossa banda tem muito potencial. Sentimos que o público gostou das músicas e também que houve empatia entre nós e o público. Foi um grande estímulo para dar seguimento à banda, finalização do CD e posterior divulgação em shows.

3 - O Vale tem características bem próprias, como o ambiente acadêmico e ser ao ar livre. Isso muda alguma coisa na hora de se apresentar?

Augusto: muda a atenção do público para a banda. As pessoas, num ambiente acadêmico, podem ser mais intolerantes com certas dissonâncias e erros que passariam em branco num show à noite, em casa propícia pra isso, onde todos estão mais soltos. Por isso, ficamos um pouco mais nervosos, é mais complicado de cativar. Mas penso que a postura de uma banda deve ser a mesma coisa sempre. Ofereceremos o mesmo na faculdade, num pub ou na garagem de casa. Lidar com todas as disposições de público possíveis é muito importante, e o Vale dá uma oportunidade interessante de diversidade.

4- Quais as influências da banda?

Augusto: a Falsa Valsa nasce em outra fase de cada integrante, de busca por expandir influências e formas de se expressar. Algo a ver com minha busca é a fase pós-punk do rock. Muitas bandas daí influenciam, como The Cure, The Smiths, The Police, The Clash, esta última ainda meio engajada liricamente, mas que fez muito punk-rocker dançar disco music. Incluo também Cascavelletes e Graforréia Xilarmônica, além de literatura, como Goethe, Charles Baudelaire, Edgar Allan Poe, Hemingway e James Joyce.

Paula: acrescento Beatles, Beach Boys...

Carlos: Black Sabbath, Deep Purple, Funkadelic, Rage Against the Machine, Pixies, James Brown, B. B. King, Sepultura e Martinália...

5- Podes falar um pouco sobre o processo criativo de vocês? Como são feitas as composições?

Augusto: bem, o que anda funcionando é eu trazer o compasso e dar cores ao "grosso" do instrumental, e buscando alguma letra (assunto) que seja induzida pela melodia. Depois, o baixo e a batera são melhor definidos nos ensaios, com o Carlos e a Paula. Na composição, tento me afastar de idéias mais "canônicas" de rock, como o rock americano, o folk dylanesco. Nosso som tem influências e base, claro, do jazz e rock, mas o foco está em sonoridades mais européias, como música de cabaré, polca, valsa, flamenco e outros "folks" de lá. Como se vê, a exclusividade também não é o popular, não abraçamos causas, por isso mergulhamos no erudito também, tudo pelos ritmos. Essa "colagem" de influências aparentemente distantes, e com letras num português mais gaúcho, é que está dando a cara pro nosso som. Um ponto também importante é que somos entre três na banda, um power trio que executa acordes razoavelmente simples, mas que pode ter esse fundo "estrangeiro" e ao mesmo tempo bem "nosso".

6- No show de vocês, tinha bastante parentes da banda, não é? O que eles acharam!?

Carlos: Eles adoraram! Minha mãe ouve bastante as músicas no myspace, e já tinha mostrado pra minhas tias também, que são fãs incondicionais.

Paula: Meus pais gostaram bastante do show.

7- Já têm novos planos e/ou shows marcados?

Carlos: no último fim de semana, fizemos gravações das baterias de algumas músicas. estamos finalizando um CD, e pretendemos largar ele na mão do pessoal da maneira mais simples possível, inclusive gratuitamente. Assim que o CD for finalizado, vamos procurar locais para shows. Não será fácil, pois teremos que arcar com custos de divulgação, aluguel de equipamento e produção em geral. Aliás, alguma dica de local para show? :)


Falsa Valsa é

Augusto Darde (voz e guitarra)
Paula Malaszkiewicz (bateria)
Carlos Kuhn (baixo)

www.myspace.com/falsavalsa


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